sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Capítulo 43


A Mata Verde



- Tio, Sir sabe onde estamos?


-Claro, estamos saindo da nossa província e logo chegaremos Reino do Leão e nosso pés estarão em Makao.
- Mas já está anoitecendo.


- Não se preocupe, antes de chegar a Makao passaremos por pela Mata Verde, e lá é bem diferente da Florestas dos Assobios.


- Sinceramente, Sir, espero que sim.


            Eles andavam no automóvel que parecia engasgar as vezes, passaram por um campo aberto seguindo uma estrada clara de chão batido e mais a frente viram que o caminho entrava numa mata, mas era estranho ver a luz que saia da mata para cima, como uma cidade muito populosa e cheia de luzes, mas era uma mata.


            Logo que entraram perceberam que o orvalho que caia das árvores na verdade não caia, estava congelado, aos poucos, no caminho para Makao, eles subiam e nem percebiam pois era uma subida leve, pois Makao tem um relevo mais alto que no Reino da Garça e por isso o clima é mais ameno, pelo menos na entrada da província. O orvalho congelado era bonito aos olhos de Solara e Beem. Eles observaram ainda que haviam algumas esponjas, que são animais simples, que não se mechem ou comem, apenas filtram as impurezas no ar, e algumas são amarelas, outras vermelhas e outras ainda são transparentes, como vidro. O ar era tão denso e Algumas árvores finas, outras de troncos largos que passaria um automóvel por elas facilmente. Foi então que Beem viu uma luz verde passar ao longe por trás de um arbusto e se apagar. Beem olhou para Lara e seu tio e percebeu que eles não haviam visto e decidiu ignorar, então a luz acendeu mais próximo deles, e os três a viram acender e apagar atrás de arbustos, Solara logo fez sua feição de medo, assim como Beem, mas o Tio, ignorou e sorriu. Então outra luz verde acendeu atrás deles, e apagou, depois mais uma, distante... E outra... E outra. Beem já parecia apavorado, mas o Tio continuava como se não estivesse vendo nada e nesse momento a luz pulou de um arbusto grande e fez o orvalho jorrar do arbusto, era um vaga-lume gigante, e sua luz verde parecia ecoar no orvalho congelado e nas esponjas transparentes de vidro. Os outros vaga-lumes saíram, eram maiores do que cavalos alguns voaram saindo da mata outros alternavam suas luzes, apagando e acendendo, era algo simplesmente...


- Fantástico! – Sussurrou Lara.


            Com a noite já aos seus pés, eles chegaram ao paredão que divide a Mata Verde do Mercado de Makao, era um desfiladeiro com uma estrada estreita que fazia sinuosidades e zigue-zagues até chegar ao chão batido e amarelo de Makao. Desceram e andando mais um pouco perceberam que o chão batido dava lugar a tijolos bem colocados e as primeiras lojas e tendas abriram-se aos seus olhos. Estavam em Makao.

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Capítulo 42


Olhos Vermelhos e o Último Assobio


            Os três viajantes, Beem, Lara e o Tio Constant, tio de Beem, iam com seu automóvel numa estrada de campo aberto. Saiam da Província de Bronze em direção a Floresta Rosa, uma província quase desabitada com a maior parte coberta por mata fechada. Um modelo não muito novo de automóvel os carregava, já que o automóvel havia sido criado no ciclo 700 e já estavam por volta do ciclo 900 da Nova Era.

- Tio, sir não me disse porquê preciso entrar numa academia.

- Todos nos Cinco Reinos devem entrar na Academia depois dos 15 anos e se especializar em suas profissões, é isso que nos garante os benefícios vindos do Rei para a nossa profissão, por exemplo: é decreto do Rei que todo comerciante deva ter um automóvel, sem as facilidades que tive por ter um curso acadêmico, não conseguiria um, já que é muito caro. Todos nos Cinco Reinos já nascem recebendo uma ajuda do Rei para garantir que terão uma boa educação, nas escolas eles aprendem os conceitos iniciais de cálculo, leitura e escrita e começam a se direcionar para as suas devidas profissões...

- Mas o que acontece se a pessoa não se decidir na profissão?

- Ela tem até os 18 anos para se decidir, caso não decida ele segue a profissão do seu pai.

- Beem pergunta demais! – Falou Lara.

- Sir gosta de responder minhas perguntas. Sempre fui próximo dele por causa disso, meus pais não tinham paciência de responder minhas perguntas e ele sempre responde bem.

- Mas nem sempre respondo.

- É difícil não responder.

- Sim. Caso não responda, logo está perguntando outra, pelo menos ouvindo fica calado. – Os três riram e continuaram ao som do motor que balbuciava alto.

            Logo se aproximavam da floresta que Constant preveniu seus passageiros:

- Tentem ignorar os barulhos e sons da floresta.

- Sons? – Perguntou Lara.

- Sim, Assobios. Porque você acha que se chama Floresta dos Assobios?... E sob hipótese alguma responda aos assobios. Por isso poucas pessoas vêm por esse caminho, preferem dar a volta pela Província de Ferro passando pelo castelo da Rainha – Respondeu, Bee, com um tom sinistro o suficiente para deixar Solara apática.

            Logo eles estavam entrando na floresta e o que parecia pleno dia tornou-se um fim de tarde e noite, a floresta era tão fechada que não se podia ver o sol que se resumia a pequenas frestas de luz que escapavam por entre as grandes folhas de árvores gigantes, enormes sequoias e eucaliptos de troncos grossos, árvores centicíclicas, quer dizer, centenárias, com seus troncos cobertos com por mantos verdes de musgos que desciam dos galos como cabeleiras mortas e fungos que pareciam verrugas nas árvores em no chão ao longo do caminho. O ar abafado e um cheiro úmido davam um tom ainda mais tenebroso ao local. Além das árvores comuns também haviam os liquênicos, que não eram plantas nem animais, pareciam arbustos, mas eram duros, mais pareciam corais marinhos de todas as cores e estavam sempre perto de muitos fungos, já se sabia que eram seres muito interessantes porque podiam nascer em qualquer lugar e se reproduzir sem se alimentar nunca, suas cores eram as únicas além daquele verde-lodo que cobria toda a mata interminável. E nenhum animal... Nem um pássaro, borboleta, felino ou se quer uma lebre, nada se mexia.

            Foi então que o inquebrável silêncio teve seu fim com um som fino de um assobio distante atrás dos nossos viajantes, o que não fizera nenhum efeito sobre Solara, já que ela sabia que poderia ser o vento, logo depois outro assobio à direita deles, mas bem próximo, Solara impressionou-se ao perceber que o assobio não parecia passear entre as árvores como ela esperava, ele parecia vir de um único local pontual. Depois mais um assobio a frete deles, mas esse foi tão fino que um frio escalou a espinha dorsal de Solara até a sua nuca e para o desespero dela, Beem respondeu num assobio baixo e deu uma risada leve.

- Você é louco? – Sussurrou, Solara.

- Está com medo mesmo? – Falou por entre seu riso – é brincadeira do Tio, Sir estava querendo pregar uma peça em você, só isso.

            Logo depois um assobio bem próximo a eles, à esquerda, depois mais um a direita e Tio Constant parou o automóvel e desligou o motor. Mais um assobio bem próximo atrás deles e os três olharam para trás e não viram nada, nem uma folha se mexia, um assobio fino viajou do lado direito passando diante deles, Poe entre seus ouvidos e indo parar do outro lado, foi então que os três se arrepiaram simultaneamente. Um assobio mais grave vinha distante, depois o mesmo assobio mais próximo e logo eles ouviram o mesmo diante deles. Um assobio grave, e depois um sussurro “Saiam... Daqui”, Tio Constant logo ligou o motor o mais rápido que pode e colocou o máximo que podia exigir do motor para sair numa velocidade que quase arrancou o pescoço dos garotos, a floresta parecia não terminar, olhavam para trás e nada os seguia, mas a sensação de estar sendo vigiado não parava, os assobios estavam a sua direita, depois atrás, finalmente abriu-se uma clareira mais a frente, era o fim da estrada que atravessava a floresta, Solara olhou para trás e, no escuro, por menos de um segundo, ela viu... Olhos vermelhos, e o ultimo assobio.

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Capítulo 41


Baltazar

- Grão-Rei! Grão-Rei! Onde está o Rei?

- Vi-o na biblioteca.

....

- Grão-Rei! Como faremos com os cronogramas de leituras? As academias estão descontroladas.

- Acalme-se, Salin. – A voz de Baltazar acalma qualquer um, seu semblante calmo e feição agradável tem o poder de apaziguar qualquer situação. Pele negra, cabeça lisa e brilhante, dificilmente é visto com sua coroa, estatura média e uma barba branca longa que já é quase sua marca, bem como seu sobretudo abotoado até os pés. É chamado de Grão-Rei pelos moradores do Reino do Águia, porque sua sabedoria é tida como divina e todos em seu reino acreditam que ele seria melhor Rei Ancião do que Dominus Rei. – Eu resolvo isso. Irei a Academia Real de Ciências Naturais logo mais, mas pode me adiantar mais ou menos a situação?

- Essa mudança na contagem do tempo decretada por Dominus é ridícula, não tem a menor necessidade.

- Na verdade, Salin, foi uma medida sábia. Com essa mudança o comércio lucrará mais, facilitara a comunicação com relação ao tempo e, com isso, ganharemos “tempo” de várias formas.

- Run!

- Deixe de fazer barulhos estranhos de resmungos e vá aprontar meu automóvel.

- Sim, Grão-Rei.

- Grão-Rei – Chega ofegante um dos Ouvidos do Rei – Uma emergência!

- O que houve?

- Um incêndio que se alastrou muito rápido na província vizinha e não há como controlar sem sua ajuda.

- Que seja, resolvamos primeiro o incêndio e, Salin, mande Corte resolver o assunto na Academia Real de Ciências Naturais, e me informe a situação no local do incêncio.

- Mas Grão-Mestre não vai trocar de roupa?

- Não há tempo, Salin, corra!

- Sim, Grão-Rei, que assim seja.

            Logo haviam dois automóveis a espera de Baltazar e Corte, seu Braço Direito, do lado de fora do Castelo da Águia, Baltazar partiu enquanto o outro carro ficou a espera de Corte que parecia demorar.

            A caminho, nem por um momento Baltazar trocou sua feição calma e desprendida. Ao longe já se via a brande nuvem de fumaça que cobria a grande floresta cinza do Reino da Águia.

            Ao chegarem, rapidamente Baltazar pegou uma capa grossa que parecia úmida, cobrindo-se com ela e pedindo para Salin fazer o mesmo correu para dentro do fogo e sumiu por entre as chamas que pareciam devorar a floresta inteira. Lá dentro procuraram alguma clareira, o fogo era intenso e escurecido, mas parecia se afasta de Baltazar com se ele trouxesse vento com ele, Salin se sentia num forno e começava a temer não chegar a uma clareira logo, mas acima de tudo confiava em seu Rei. Caminharam até Salin gritar por entre estralados e rangidos de troncos que se desfaziam:

- Grão-Rei, não suporto mais! Acho que vou desmaiar!

- Se fosse desmaiar não teria forças para gritar antes, teria? Chegamos.

            A clareira era aberta o suficiente para manter certa distância do fogo. Ali Salin começou a obervar Baltazar olhar para o céu, ao longe enxergou uma águia, provavelmente atraída pelo próprio Baltazar, este e a água pareciam se olhar, até qye Baltazar balançou a cabeça, provavelmente havia usado os olhos da águia para ver a extensão do incêndio, e começou, abriu os braços para os céus e depois juntos as mãos de vagar sobre sua cabeça, e desfez-se um algo que parecia uma dança, movimentos rápidos e fortes com os braços e pernas seguidos de movimentos mais lentos e leves. Salin sabia o que era aquilo, mas não pensou que fosse presenciar com seus próprios olhos e vindo do próprio Rei Baltazar, a antigo mestre alquimista da Academia Real de Ciências Naturais, posto que ele mesmo criou.

- Isso é... Domínio de Fogo. – Disse ele extasiado.

            Então Baltazar parou abriu os braços como se medisse algo, quando pareceu achar a medida certa foi aproximando os braços lentamente e aos poucos percebi que o calor ao meu redor diminuía à medida que ele aproximava os braços, até que os fogo ao nosso redor de extinguiu por completo e ele veio até mim, não com uma expressão de vangloriosa de quem acabou de fazer um feito extraordinário, mas com a mesma feição calma e pacífica e me disse:

- Esse fogo não era normal. Percebeu?

- Sim, chamas negras.

- Precisamos investigar.

- Sim, Grão-Rei. Deixe por minha conta.

- Que seja. Vamos ver o que se sucedeu com relação às academias.

            Os dois passearam por entre os aplausos dos cidadãos e entraram no automóvel de onde partiram para a Academia Real de Ciências Naturais do Reino da Águia.

sábado, 23 de agosto de 2014

Capítulo 40


O Decreto do Santo Rei

         Depois de comer, por volta meio dia eles saíram, pouco antes de se afastar do centro da cidade eles ouviram comentários de que um decreto do próprio Rei Ancião havia sido pronunciado há pouco no centro da cidade, logo voltaram para o centro da cidade para ver do que se tratava, já que o próprio Beemont na via vivido o suficiente para ter visto algum pronunciamento que venha do próprio Rei Ancião, Dominus Rei. Ao chegarem ao centro da cidade, no quadro de anúncios do centro da cidade, estava preso em bom papel e pretas de contorno dourado: “O Santo Rei, investido dos poderes dados pelo povo do Cinco Reinos, vem por meio deste para saudar a todos os habitantes, em suas devidas profissões e deveres. Também por meio deste, Dominus Rei decreta que, deste dia em diante, será mudada toda a forma de contagem de Ciclos, miniciclos, megacíclos e microcíclos, para ANO, possui 356 dias, em que os dias possuem 24 HORAS, cada hora possui 60 MINUTOS e cada minuto possui 60 SEGUNDOS. Medidas padronizadas pelo aparelho chamado “ampulheta” que marca o tempo de uma hora. Essa medida foi tomada por se mostrar mais prática favorecendo os Cinco Reinos de forma econômica e cultural, já que a partir destas unidade será possível marcar melhor reuniões, tratados e outros, bem como estaremos assim retomando uma medida de tempo já extinta, mas que se mostra mais eficiente do que a vigente.
Assinado: Dôminus Rei, O Rei Ancião.”

- Esse tratado ainda vai dar muito o que falar, a quantidade de professores que estará amanhã pela manhã no castelo do leão, mas de certo que irão somente os que tiverem bons argumentos e eles devem ter consciência de que será difícil mudar um decreto do Santo Rei.
- Tio.
- Diga.
- Sir pode me dizer porque chamam O Rei Ancião de Santo? O que é isso?
- Santo é algo Divino, Perfeito. O Rei Ancião é a ligação direta com os Sete Deuses, ele é quase um ente igual aos Sete Deuses. Fausto, O primeiro grande mago, quem nos mostrou a verdade sobre todo o universo, os Sete Deuses e a vida, foi o primeiro Rei Ancião, então todo aquele que é escolhido pelo Conselho Ancião como Rei é descendente do Grande Fausto, então é tão sábio quanto e tão divino quanto.
- Então o Rei Ancião também é um deus, Sir?
- Sim.
- Isso que dizer – Beem virou para Lara – Que Minus queria matar um deus?!
- Exatamente – Falou ela sorridente.
- Mas é impossível.
- Ele acreditava que não.

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Capítulo 39


Algo Mais

         Pela manhã Beemont foi à casa do seu tio conversar com ele sobre a possibilidade de ir com ele até a Província de Cedros no Domínio do Rei Gordon.
- Diga, Bem.
- Sir disse que iria a Cedros no Leão amanhã?
- Sim.
- Posso ir também?
- Sim, mas lembre-se: é outro reino, algumas regras que se aplicam aqui não se aplicam lá e vice-versa, não fale com estranhos, principalmente com os Cultuadores da Lua, fique longe deles, eles podem capturar você e...
- Ah tio! Não caio nessa, não tenho mais 15 ciclos de vida.
- Grande diferença ter 16.
- Tio, Sir deixa outra pessoa ir comigo?
- Quem? Sigor?
- Não... Lara.
- Obviamente que não.
- Tio!
- Sem discussões, como ficarei com a Rainha se ela souber que levei a filha dela para o Reino do Leão?
- Posso conseguir algo para Sir.
- Sem discussões.
- Estava falando com a Leandra, mulher do ferreiro Dicer e ela comentou que Sir está mais forte que o normal.
- Como assim.
- Ela disse que Sir está forte bonito. Comentei com ela que o senhor estava muito carente desde que a tia viajara para vender vinhos no Reino da Coruja e se sentia muito sozinho.
- De onde tirou isso?
- Ela me disse que se precisasse de alguém pra vir aqui para lhe fazer companhia, comida, ajudar na limpeza ou algo mais eu falasse com ela.
- “Algo mais”?
- Sim, “algo mais”.
- Tudo bem. Mas toma cuidado com a Solara, e não se afastem muito de mim, a viagem é um pouco longa.
- Eu sei.
- Que seja. Depois de comermos sairemos. Ainda preciso terminar meus deveres da academia de Finanças antes de comer*.

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Capítulo 38


Princesa Solara e Beemont

         Pouco depois de Solara chegar ao quarto um avião de papel entra pela janela e cai perto da cama, ela, já sem o vestido e apenas com suas roupas de baixo, pega o papel no chão e o lê, era de Beemont, o garoto que sua mãe mencionara. Dizia que queria conversar, ela logo escreveu uma reposta dizendo o que sua mãe havia dito e jogou pela janela de encontro ao garoto de ruivo que esperava a base do paredão que estava a janela do quarto dela. Recebeu e logo olhou pra cima com um sorriso com algo nas mãos que tirara da bolsa, Sorara apertou os olhos para tentar enxergar o que era e tão logo quanto percebera, aprontou-se para descer pelas trepadeiras do paredão, em pouco já estava no chão.
- Figos?
- Sim, Lara.
- Onde conseguiu?
- Nas arvores dos armeiros de bronze ao sul.
- Estão muito gostosos.
- Estou esperando algo.
- Obrigada, Bem. – inclinou-se e deu um beijo no rosto de do garoto, que envergonhara-se, mas conseguiu disfarçar.
- Então? Algo novo sobre Minus? – A menina logo mudou sua feição. – O que houve?
- Ele morreu.
- Não, não pode ser.
- Foi o que eu disse, mas Mama falou que enterrarão o corpo dele amanhã.
- Não é verdade. Vamos ver o corpo dele. Assim veremos se é ele mesmo.
- Mama não vai deixar.
- Ela não vai saber, ela não vai nem perceber, não é a primeira vez que fugimos do castelo.
- Não sei, além do mais, como vamos para o reino do leão?
- Meu tio vai viajar para lá amanhã depois de comermos, ele vai apenas fazer uma entrega de Varis e voltamos antes do por do sol. Investigamos e voltamos.
- Que seja. Vejo você na casa do seu tio após comermos, não deixe ele sair sem mim.
- Que seja.

sábado, 2 de agosto de 2014

Capítulo 37


Rainha Lívia, a Rainha Garça

            A pradaria verdejante e sem fim que rodeia o Castelo da Garça demonstra as bênçãos dos Sete Deuses sobre esse reino. O Domínio da Rainha Lívia é o mais pacifico dentre os Cinco Reinos. Ela treina seu exército apenas para fins de pacificação e é totalmente contra os métodos de seu vizinho, Gordon, o Rei Leão que Domina de maneira despótica e infligindo a guerra e a tirania. Ela mesma não entende o que alguém como ela faz em um dos tronos dos Cinco Reinos.

            O grande castelo de corredores incontáveis e inúmero de quartos possuíam ainda um três campos de treinamento grandes e bem equipados, um bosque central além das varias arvores de cerejeiras, ipês e muitas outras belíssimas e floríferas, além de trepadeiras e samambaias que embelezavam o castelo dando-lhe o ar calmo e aconchegante do campo. Diferente dos outros castelos, não haviam armaduras, estátuas ou artefatos caros e antigos pelo corredores, apenas samambaiais, xaxins, bonsais e outras plantas ornamentais era como estar em uma flores, delimitada com paredes de pedra, mas muito limpa, sem se quer uma folha no chão, uma rachadura, teia de aranha ou rede de resva*¹ em qualquer canto do castelo. No centro do bosque do castelo, de cima vemos o marido da Rainha Lívia conversar com um dos cozinheiros, não parece estar satisfeito com algo, mas o próprio cozinheiro sai esbravejando algo se afastando e ignorando o Ultima Voz, título dado ao cônjuge do rei ou rainha. Enquanto isso, vamos para o outro lado do colossal Castelo da Garça, de encontro à Rainha Lívia e sua filha. A Rainha é muito bela, sem dúvidas uma das mais belas dos Cinco Reinos, sua juventude contrastava com sua sabedoria o que fazia dela um grande prodígio. Seus cabelos dourados e trançados em duas tranças grossas presas com detalhes em ouro e que se encontravam atrás em uma trança maior, sobre o cabelo solto, lhe davam uma ar ainda mais jovial, usava o que parecia uma armadura de couro e ouro, leve, com um pouco do busto a mostra e uma gargantilha fechada feita do ouro mais puro, olhos verdes e corpo atlético, sua filha Solara, de beleza similar ou até superior a da mãe, vestia um belo vestido azul com detalhes dourados, seu cabelo estava solto, mas não parecia muito a vontade com essas roupas. Elas conversam:

-... Que seja, filha. Há outra coisa que preciso lhe falar. O rapaz do qual você tanto se interessa saber...

- Minus!

- Sim. Ontem, ao fim do dia, ele invadiu o acampamento do exercido do leão.

- Manobra corajosa, mesmo depois de ele ter reduzido o número de soldados com o mal do carvão ainda haviam muitos soldados.

- Parece que alguns soldados juntaram-se a ele contra o Mor-Grão-General Dort e O Rei Gordon, quem me dera que ele conseguisse tirar aquele déspota do poder.

- Mas o que houve?

- Eles destruíram e dizimaram o exército do leão, bem como o próprio exército, e Minus...

- O que?

- Ele está morto.

- Não!

- Dort não se pronunciou, mas todos afirmam que ele está morto, inclusive enterrarão seu corpo amanhã.

- Impossível.

- Possível... E provável. O corpo está lá. Filha desista dessa vida de aventura, isso não leva a nada. Como eu queria que você se torna-se uma Acadêmica-Mor, e quem sabe até uma professora, hoje mesmo recebi dois professores que vieram me questionar com relação a lei dos pães, eles apresentaram argumentos tão bons que tive que revogá-la. Somente um professor tem esse poder nos cinco reinos, nenhum outro cargo. O Magistério era meu sonho, como eu queria que você seguisse-o, fazer partido do Magistrado e...

- Chega, Mama! Não quero mais falar sobre isso. Quero me retirar ao meu quarto. Permite-me?

- Sim. Mas pense no que eu disse.

- Sim.

- E filha. Não quero você andando com aquele garoto novamente, não é bom para a reputação da filha da rainha que...

- Certamente, mama.

sábado, 24 de maio de 2014

Capítulo 36 - Invasão (Fim)


O
lhos pasmos, bocas abertas e uma ação inesperada...
No tempo muito menor que um piscar de olhos, Dort desvia de sua trajetória , como ignorando o princípio da inércia, e abaixa-se erguendo sua adaga... Um braço enfaixado cai no chão, pela primeira vez o medo toma o rosto de Minus ao ver seu braço separado de seu corpo, no chão, seu braço esquerdo que era um de seus maiores trunfos. Tudo passou em sua cabeça, não poderia usar sua ira, não havia mais força pra isso, seu braço estava no chão, não poderia pedir ajuda a Argonis e Neflin, não era digno, seu braço estava no chão, não poderia derrotar Dort com apenas um braço, e naquele dia seria a única chance prevista de estar cara-a-cara com ele, a única chance de derrotá-lo, mas seu braço.. Estava no chão e seu corpo de pé por olhos pasmos, bocas abertas e uma ação inesperada...
Olhou as armas que Dort ainda impunha, sem nem tê-las tocado no duelo, fora fácil... Fácil demais.



segunda-feira, 12 de maio de 2014

Capítulo 35 - Minus X Dort (PARTE 1)

B
arracas em chamas, cavalos mortos, cheiro de sangue e suor.
Os Clamores e balbucios demonstravam que a batalha chegava ao fim, No campo de batalha jaziam corpos de soldados de todos os tipos. Do grupo de Minus, alguns morreram, mas sobreviveu o suficiente para dizerem-se vitoriosos. Todos os restantes que podiam andar se direcionavam para o fim da colina, onde, no topo, estava o Mor-Grão General Dort.
Minus, Argonis e Neflin chegaram primeiro ao topo da colina, onde lá estava armada uma barraca grande, dava para imaginar o que havia lá dentro, quase um oásis no meio do acampamento, com frutas e bebidas para Dort se deliciar sentado num trono. E para surpresa deles, Dort sai da barraca, com sua armadura de liga de bronze, uma espada grande, um machado maior ainda e flechas nas costas, em suas mãos um arco e uma adaga.
- Minus Himperíter – Diz ele com voz trovejante, para o espanto de Minus, que não imaginava que ele soubesse de sua origem. Mesmo Artegon se imprecionou.
- Dorton de Sevigh, Irmão de Gordon e dominador da arte suprema das armas.
- Vejo que fez uma pesquisa. Espero que nessa pesquisa também tenha descoberto meus mestres para saber como combater meu estilo de luta.
- Sim. Congor, primeiro tutor de armas, Mestre de Magosh. Segundo tutor de armas Salir, o mago espadachim, e outros.
- Muito bom garoto. Vamos venha pra cima!
- Sei que é exatamente o que quer que eu faça, mas se me conhece sabe que não vou fazer a não ser que espere que eu não o faça, mesmo pedindo.
- Na verdade sei que fará.

         Minus parte em uma corrida feroz, com os punhos cerrados em direção à Dort, mas Dort também vai de encontro a Minus, a sensação é de que algo iria explodir. 

sábado, 19 de abril de 2014

Capítulo 34 - Artegon e suas orgulhosas lâminas.


-
M
ais uma vez, pegue a espada.
- Não gosto de espadas! Nasci para dizimar exércitos e não para o combate corpo-a-corpo.
- Mais nem sempre o que a gente tem é o que a gente precisa. Artegon... Um soldado habilidoso por vencer várias batalhas, mas só vence uma guerra aquele que sabe usar todo o que tem a sua disposição, somente os gênios veem mil utilidades no que a maioria das pessoas considera inútil. Então, pegue a espada.
- Sim, mestre Magosh. - Não precisarei ouvir sermões desse velho quando estiver forte o suficiente para derrotá-lo.
...
- Um duelo Artrgon? Eu e você? Novamente?
- Sim, mestre.
- Certo. Prepare-se.
- Sim. Ah! Como você se moveu tão rápido? Nem pisquei e sua bainha já estava na minha barriga?
- Não é a coragem, nem a força nem a inteligência que te faz ganhar guerras. Muitos ganharam guerras assim, mas, fins das contas, definham por perder para si mesmos. Não deixe o orgulho lhe tomar, no seu caso ele é seu pior inimigo. Que tal um sorriso pra engolir esse conselho?
- Não quero sorrir.
- Ah! Vamos quero ver seus dentes, vem aqui....
...
- Tem certeza de que quer isso?
- Sim, devo partir mestre.
- Para aonde, Artegon?
- Para onde eu possa me tornar o mais forte, não posso viver a sombra da humildade para sempre.
- A humildade não é sombra.
- Adeus, mestre.
- Você é muito forte, inteligente e astuto, mas o orgulho o torna mais fraco do que uma ovelha perdida. Não pode ser só.
- Vou lhe mostrar que posso.
...
- Minus...
- Cansei o senhor, mestre Magosh?
- Hiihihi. Sim. Não há ninguém no mundo como você, garoto. Ainda bem que nunca fui seu inimigo em batalha, teria orgulho de morrer por suas mãos. Quero que me prometa uma coisa...
- Sim, mestre.
- Sabe que já tive outro aprendiz e que, por descrédito na humildade, ele partiu.
- Sim, mestre. Sei.
- Prometa-me que, mesmo que ele não mereça você usará o que tiver de mais poderoso contra ele, para que ele tenha uma morte honrada.
- Sim, pelo que me disse imagino que ele tentará ficar a distância, posso deixar ele me ferir bastante, usarei o poder do dragão para me levantar e o derrotarei com ele.
-... Mesmo sabendo que poderia derrotá-lo em poucos segundos.

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Capítulo 33 - Invasão (Parte 7) - A Arma de Minus

A
grande dúvida que emanava de Neflin contemplava a certeza e serenidade de Argonis.
- Que tipo de Demônio é Minus?
- Um demônio bem treinado - Respondeu Argonis, sarcástico mas sério.
Os dois vão de encontro a Minus, que não possuia mais o mesmo semblante risonho que engoliu o coração de Artegon. Neflin permanecia calado.
- Acredito que saiba o que significa ter usado isso agora.
- Sim. Que não estou pronto para enfrentar Dort, mas você também sabe que essa será minha única chance.
- Você já deve ter calculado tudo.
- Sim. Depois de uma investida como essa chamaremos mais atenção do trono supremo, ele enviará reforços de todos os cinco reinos para proteger a biblioteca de prisma com o protesto de proteger Dort. A população vai acatar as explicações do Rei Ancião e nos tratar como rebeldes, os quais mesmo que tenhamos alguns adeptos nunca teremos força para levantar-se contra ele. Mas se conseguirmos...
- Derrotar Dort?
- Sim. Se conseguirmos derrotá-lo, todos verão que temos chance e os mais intelectuais começaram uma onda de conscientização contra Dôminus, faremos um grupo bem estruturado e será apenas questão de tempo até conseguimos o Trono do Leão e depois o Trono Supremo.
- Mas você teme não conseguir derrotar Dort.
- Sim. Sabe... Posso não ter a menor chance.
Neste exato momento chega um mensageiro da ordem dos Angelus, a mais alta ordem dos mensageiros, incumbidos de entregar apenas as mensagens e entregas mais sigilosas e importantes, são capazes de correr vários dias sem parar. Em suas costas um grande embrulho que foi entregue nas mãos de Minus, que agradeceu e fez sinal de respeito ao Ângelus.
Logo jogou ao ar o tecido que encobria a obra de arte de Magash e uma carta: "Nesta eu usei máximo de tudo que eu aprendi, mas também acredito ser a última arma que farei, estou saindo da província porque sei que se ficar aqui morrerei, faça bom uso.
Seu tutor de armas, Magash, o Turbilhão de Lâminas."
Na mente de Minus ele já imaginava que Magash não conseguiria escapar e certamente não estava mais vivo.
Pôs o punho de metal raro em sua mão esquerda sobre as faixas e segurou a última obra prima de seu mestre das armas. Levantou-a como quem ergue um troféu, era gigantesca, quase do tamanho do próprio Minus, não se sabia de que metal era feita, mas era de um metal escuro quase avermelhado, mais claro que o bronze, com um escudo, que era um casco de tartaruga mais resistente que qualquer metal, que separava a empunhadura da lâmina, uma lâmina gigantesca que mais parecia um machado, certamente devia ter cido pensada para ser uma espada de duas mãos, mas Minus segurava-a facilmente.
- Ainda estou com medo, mas agora tenho muito mais do que meus próprios princípios em jogo. É um machado, uma espada e um escudo, defesa e ataque em uma única arma.
Minus vestiu-se de coragem, colocou sua arma nas costas e rumou em direção da barraca de Dort, mas não antes de dizer:
- Quero que me prometam uma coisa: Mesmo que tenha certeza da minha derrota, da minha morte... Quero que não interfiram.
Neflin e Argonis fizeram sinal de aprovação com a cabeça e sussurravam:
- Realmente parece uma arma impressionante.
- Não se engane com a arma – esclareceu Argonis – Ela não é para atacar ou para se defender. Dort é muito poderoso, um gênio das guerras, não é topa que está na posição que está, ele é realmente um gênio da luta, mas Minus... Minus é o resultado do maior experimento já feito, o máximo que se pode tirar de um ser humano, um soldado perfeito, a obra prima do treinamento da mente e corpo levados ais seus extremos. Sem dívidas, será a Batalha dos Gênios. E aquela arma não serve para atacar, mas sim para distrair o inimigo, tirando o foco da verdadeira arma de Minus... O Braço Esquerdo.

sexta-feira, 21 de março de 2014

Capítulo 32 - Invasão (Parte 6) - O Touro De Cedros

C
om a batalha entrado em sua etapa final, Argonis percebe a ausência de Minus e começa a procurá-lo no campo de batalha ignorando os corpos pois tinha plena certeza de que ele não estava entre eles, subia a encosta por entre árvores onde e encontrou-se com Neflin, que vinha das sombras ofegante e coberto de sangue, de certo acabara de matar alguém forte, pelo menos o suficiente para cansá-lo.
Os dois subiram a encosta, passaram por entre arbustos e se depararam com Minus caído no chão, com muito sangue ao redor. Neflin fez movimento de ir em sua direção, mas foi impedido por Argonis, que levou o dedo a boca pedindo silêncio.
- Você é um cultuador, feche os olhos e tente ouvir.
- Ouvir o que?
- O Coração de Minus.
-... Está parado. Espere, está voltando a bater, está fraco, mas está batendo cada vez mais forte, está batendo tão forte que parece ecoar... Espere, não é eco... Parece... Um outro coração?
- Abra os olhos.
Neflin vê a respiração forte de Minus e percebe que seu corpo parece quente, pois está ficando vermelho, como se uma ira o tomasse e passasse por suas veias, aquecendo-o a ponto de termos a impressão de que saía um vapor da pele dele, um vapor quase esverdeado. Artegon abriu os olhos e a boca sem a mínima reação a não ser de total e emudecedor espanto.
- Este é Artegon, tutor de Dort e um dos dois únicos discípulos de Magash, o turbilhão de lâminas. Ele é capas de matar um exército inteiro sem ser tocado.
- Dois?
- Sim, o outro discípulo de Magosh foi Minus.
O vapor começa a sair das feridas de Minus que ainda está no chão, seu suor e calor dão a impressão de que ele brilha. O vapor sai das feridas e elas aos poucos se fecham, até que desaparecem sem deixar cicatriz. E a voz de Minus emana do nada:
- Não pensei que fosse precisar disso tão cedo. - Um sorriso doentio e sarcástico toma o rosto de Minus. Seu braço enfaixado parece latejar, mas permanece baixo. O antigo olhar calmo dá lugar a um olhar sinistro e desconhecido.
- Acho que... - não é mais a voz de Minus - seus olhos devem ter um gosto interessante... Hihihi.
Antes que o ágil Artegon pudesse se mover, Minus estava do seu lado, seu sorriso estava diante dos olhos do Grande tutor de Dort, este que sentiu uma mão entrar em seu abdômen e tatear seu coração antes de puxá-lo para fora e sua visão faltar.
- Humm. Mas o coração deve ser mais delicioso que os olhos.
Do escuro Neflin observava atônito enquando Minus lambusava-se do sangue que ainda pulsava no coração. Até que Argonis, rompendo o silêncio, disse:
- Esse é Minus, o Touro de Cedros.