sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Capítulo 43


A Mata Verde



- Tio, Sir sabe onde estamos?


-Claro, estamos saindo da nossa província e logo chegaremos Reino do Leão e nosso pés estarão em Makao.
- Mas já está anoitecendo.


- Não se preocupe, antes de chegar a Makao passaremos por pela Mata Verde, e lá é bem diferente da Florestas dos Assobios.


- Sinceramente, Sir, espero que sim.


            Eles andavam no automóvel que parecia engasgar as vezes, passaram por um campo aberto seguindo uma estrada clara de chão batido e mais a frente viram que o caminho entrava numa mata, mas era estranho ver a luz que saia da mata para cima, como uma cidade muito populosa e cheia de luzes, mas era uma mata.


            Logo que entraram perceberam que o orvalho que caia das árvores na verdade não caia, estava congelado, aos poucos, no caminho para Makao, eles subiam e nem percebiam pois era uma subida leve, pois Makao tem um relevo mais alto que no Reino da Garça e por isso o clima é mais ameno, pelo menos na entrada da província. O orvalho congelado era bonito aos olhos de Solara e Beem. Eles observaram ainda que haviam algumas esponjas, que são animais simples, que não se mechem ou comem, apenas filtram as impurezas no ar, e algumas são amarelas, outras vermelhas e outras ainda são transparentes, como vidro. O ar era tão denso e Algumas árvores finas, outras de troncos largos que passaria um automóvel por elas facilmente. Foi então que Beem viu uma luz verde passar ao longe por trás de um arbusto e se apagar. Beem olhou para Lara e seu tio e percebeu que eles não haviam visto e decidiu ignorar, então a luz acendeu mais próximo deles, e os três a viram acender e apagar atrás de arbustos, Solara logo fez sua feição de medo, assim como Beem, mas o Tio, ignorou e sorriu. Então outra luz verde acendeu atrás deles, e apagou, depois mais uma, distante... E outra... E outra. Beem já parecia apavorado, mas o Tio continuava como se não estivesse vendo nada e nesse momento a luz pulou de um arbusto grande e fez o orvalho jorrar do arbusto, era um vaga-lume gigante, e sua luz verde parecia ecoar no orvalho congelado e nas esponjas transparentes de vidro. Os outros vaga-lumes saíram, eram maiores do que cavalos alguns voaram saindo da mata outros alternavam suas luzes, apagando e acendendo, era algo simplesmente...


- Fantástico! – Sussurrou Lara.


            Com a noite já aos seus pés, eles chegaram ao paredão que divide a Mata Verde do Mercado de Makao, era um desfiladeiro com uma estrada estreita que fazia sinuosidades e zigue-zagues até chegar ao chão batido e amarelo de Makao. Desceram e andando mais um pouco perceberam que o chão batido dava lugar a tijolos bem colocados e as primeiras lojas e tendas abriram-se aos seus olhos. Estavam em Makao.

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Capítulo 42


Olhos Vermelhos e o Último Assobio


            Os três viajantes, Beem, Lara e o Tio Constant, tio de Beem, iam com seu automóvel numa estrada de campo aberto. Saiam da Província de Bronze em direção a Floresta Rosa, uma província quase desabitada com a maior parte coberta por mata fechada. Um modelo não muito novo de automóvel os carregava, já que o automóvel havia sido criado no ciclo 700 e já estavam por volta do ciclo 900 da Nova Era.

- Tio, sir não me disse porquê preciso entrar numa academia.

- Todos nos Cinco Reinos devem entrar na Academia depois dos 15 anos e se especializar em suas profissões, é isso que nos garante os benefícios vindos do Rei para a nossa profissão, por exemplo: é decreto do Rei que todo comerciante deva ter um automóvel, sem as facilidades que tive por ter um curso acadêmico, não conseguiria um, já que é muito caro. Todos nos Cinco Reinos já nascem recebendo uma ajuda do Rei para garantir que terão uma boa educação, nas escolas eles aprendem os conceitos iniciais de cálculo, leitura e escrita e começam a se direcionar para as suas devidas profissões...

- Mas o que acontece se a pessoa não se decidir na profissão?

- Ela tem até os 18 anos para se decidir, caso não decida ele segue a profissão do seu pai.

- Beem pergunta demais! – Falou Lara.

- Sir gosta de responder minhas perguntas. Sempre fui próximo dele por causa disso, meus pais não tinham paciência de responder minhas perguntas e ele sempre responde bem.

- Mas nem sempre respondo.

- É difícil não responder.

- Sim. Caso não responda, logo está perguntando outra, pelo menos ouvindo fica calado. – Os três riram e continuaram ao som do motor que balbuciava alto.

            Logo se aproximavam da floresta que Constant preveniu seus passageiros:

- Tentem ignorar os barulhos e sons da floresta.

- Sons? – Perguntou Lara.

- Sim, Assobios. Porque você acha que se chama Floresta dos Assobios?... E sob hipótese alguma responda aos assobios. Por isso poucas pessoas vêm por esse caminho, preferem dar a volta pela Província de Ferro passando pelo castelo da Rainha – Respondeu, Bee, com um tom sinistro o suficiente para deixar Solara apática.

            Logo eles estavam entrando na floresta e o que parecia pleno dia tornou-se um fim de tarde e noite, a floresta era tão fechada que não se podia ver o sol que se resumia a pequenas frestas de luz que escapavam por entre as grandes folhas de árvores gigantes, enormes sequoias e eucaliptos de troncos grossos, árvores centicíclicas, quer dizer, centenárias, com seus troncos cobertos com por mantos verdes de musgos que desciam dos galos como cabeleiras mortas e fungos que pareciam verrugas nas árvores em no chão ao longo do caminho. O ar abafado e um cheiro úmido davam um tom ainda mais tenebroso ao local. Além das árvores comuns também haviam os liquênicos, que não eram plantas nem animais, pareciam arbustos, mas eram duros, mais pareciam corais marinhos de todas as cores e estavam sempre perto de muitos fungos, já se sabia que eram seres muito interessantes porque podiam nascer em qualquer lugar e se reproduzir sem se alimentar nunca, suas cores eram as únicas além daquele verde-lodo que cobria toda a mata interminável. E nenhum animal... Nem um pássaro, borboleta, felino ou se quer uma lebre, nada se mexia.

            Foi então que o inquebrável silêncio teve seu fim com um som fino de um assobio distante atrás dos nossos viajantes, o que não fizera nenhum efeito sobre Solara, já que ela sabia que poderia ser o vento, logo depois outro assobio à direita deles, mas bem próximo, Solara impressionou-se ao perceber que o assobio não parecia passear entre as árvores como ela esperava, ele parecia vir de um único local pontual. Depois mais um assobio a frete deles, mas esse foi tão fino que um frio escalou a espinha dorsal de Solara até a sua nuca e para o desespero dela, Beem respondeu num assobio baixo e deu uma risada leve.

- Você é louco? – Sussurrou, Solara.

- Está com medo mesmo? – Falou por entre seu riso – é brincadeira do Tio, Sir estava querendo pregar uma peça em você, só isso.

            Logo depois um assobio bem próximo a eles, à esquerda, depois mais um a direita e Tio Constant parou o automóvel e desligou o motor. Mais um assobio bem próximo atrás deles e os três olharam para trás e não viram nada, nem uma folha se mexia, um assobio fino viajou do lado direito passando diante deles, Poe entre seus ouvidos e indo parar do outro lado, foi então que os três se arrepiaram simultaneamente. Um assobio mais grave vinha distante, depois o mesmo assobio mais próximo e logo eles ouviram o mesmo diante deles. Um assobio grave, e depois um sussurro “Saiam... Daqui”, Tio Constant logo ligou o motor o mais rápido que pode e colocou o máximo que podia exigir do motor para sair numa velocidade que quase arrancou o pescoço dos garotos, a floresta parecia não terminar, olhavam para trás e nada os seguia, mas a sensação de estar sendo vigiado não parava, os assobios estavam a sua direita, depois atrás, finalmente abriu-se uma clareira mais a frente, era o fim da estrada que atravessava a floresta, Solara olhou para trás e, no escuro, por menos de um segundo, ela viu... Olhos vermelhos, e o ultimo assobio.