sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Capítulo 10


            Pela manhã Arthur e Argonis ainda estavam bebendo e rindo, Zorf estava jogado bêbedo ao chão e Neflin estava sentado em outra mesa de cabeça baixa.
- Acordem Zorf e venham cá um momento. – disse Minus. – há algo que quero lhes mostrar.
            Minus tirou da bolsa um papel velho em forma de papiro em abriu-o em cima de uma das mesas do bar, era o Mapa do Reino do Sul.
- Mas é o Mapa do Domínio do Rei Gordon. Como pode ter isso Minus? – Perguntou Arthur.
- Ele mesmo Fez – Disse Neflin.
- Como sabe?
- Está aqui em baixo, vê? Ou está tão bêbado que mal consegue enxergar?
- Ora seu... Mas está meio apagado.
- Sim – Minus – Copiei esse mapa há alguns anos na Biblioteca da Província de Prisma.
- Mas não é permitido copiar nada da biblioteca, tudo o que é há lá só pode ser tirado em sua cabeça. – Arthur.
- Sim... Isso quando sabem que você está copiando. Nunca fui bom em memorizar mapas, então tive que fazer isso.
- humm... O Bom menino transgrediu uma regra. Cuidado... Será punido. – Minus Ignorou o escárnio de Neflin e continuou:
- Estamos aqui, próximos ao Mercado de Makao, estamos andando desde a Floresta de Cedros. Vamos até o Mercado, que é famoso por ser o maios dos 5 Reinos comprar algumas armas na loja de um amigo meu e nos preparar para a guerra.
- Simples assim? – Falou desconfiado Neflin.
- Sim.
- E Depois?- Arthur.
- Depois de estarmos devidamente armados e protegidos partiremos para a província de Ham, Aqui.
- Mas não é lá que está o Exército do Leão? O exército do Rei Gordon é o Maior dos Cinco Reinos. – Arthur.
- Sim, eu sei. É exatamente para a Alocação do Exército do Leão que rumaremos. – Todos se afastaram menos Argonis.
- Você está ficando louco garoto... Agora tenho certeza. – Disse Arthur.
- Não pode estar falando sério. – Neflin.
- Não devia ter bebido qualquer coisa ontem à noite Touro... Está falando delírios...
- Calem-se! Vocês temem um nome! Gordon é um porco que vive de lavagem, lavagem comprada com os altos impostos que pagamos a ele. Ele não faz nada a não ser mandar seus soldados para o abismo da guerra enquanto fica em casa enchendo suas tripas de comida em suas gigantescas ceias. Isso que ele é, um grande e gordo porco! Um porco que manda em ratos que ele chama de exército. Diante de vocês agora deixo a minha palavra, nenhum de vocês, nenhum, vai cair antes de mim, e eu só cairei depois de Gordon, juro isso perante vocês, dou-lhes minha palavra perante os deuses que quiserem.
- HAhAHAHHAA – Gargalhou Arthur. – Pois bem... O que pretende fazer...
- Que barulho é esse Minus, não sabe controlar seus alunos sem gritar? – Kalays.
- Esse é Kalays, o calculista. Ele vai nos ajudar.
- Esse gordo não pode ir para a guerra. – disse Arthur.
- Velho quelônio! Você se surpreenderia com meu desempenho em uma batalha. Esse olho que me falta não é de cortar carne de alces, são espólios de batalha. Mas são histórias antigas, estou aqui para ajudar meu velho amigo Minus não na parte prática, mas sim na teoria. Vou ajudá-lo a arquitetar, ou pelo menos terminar, já que ele já está quase pronto, o plano para derrotar o Rei Gordon.
- Vocês estão subestimando Gordon, eles não... – O olhar de Minus interrompeu Neflin.
- Até mesmo o Leão, o temido felino, tem um ponto fraco. O que me basta é achar esse ponto fraco e transformá-lo em minha vantagem.
- Isso se ele não achar o seu ponto fraco primeiro.
- isso não será possível... Por que eu transformei meu ponto fraco em minha maior vantagem. Eu ainda tenho algumas pedras para colocar na minha boleadeira*, sabe?
- E quais seriam essas pedras? – indagou Neflin curioso pela resposta que viria.
- Não posso dizer “quais”, por enquanto digo-lhes apenas “quantos”.
- E quantos são? – Neflin.
- Três e isso é tudo que direi.
            Todos juntaram suas coisas, e partiram do hotel, numa casa ao lado uma moça estava a janela a olhar para o grupo partindo. Ao saírem do bar Neflin sussurra para si mesmo.
- Que eram três eu já sabia, quero saber quais.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Capítulo Extra - 9.1


- Kalays, diga-me algo, onde está Kalayne?
- Em seu Quarto, vou dar-lhe bom sono, faz tempo que não a vejo.
            Ao bater a porta Kalayne, de voz doce, pergunta:
- Quem é?
- Se um flor de Jade caísse no chão o que você diria? – Ela pulou da cama e abrindo a porta disse:
- Que é mentira porque as flores de jade sempre saem sobre suas folhas... Não acredito que você veio me buscar, Minus!
- Pois continue em acreditar porque não vim buscar-lhe.
- O que? Não acredito...
- Isso mesmo, já lhe disse que você não é uma amazona, você deve ficar e cuidar do negocio do seu pai.
- Mas Minus, Kalays já faz isso muito bem sozinho, não há nada que eu faça que ele não possa fazer.
- Você sabe muito bem que se Kalays ficar muito tempo sozinho aqui não haverá garrafas de nenhuma bebida para os Clientes no dia seguinte.
            Kalayne Realmente não parecia irmã de Kalays, era uma Jovem bela, de cabelos negros ondulados, cintura fina e quadril largo, olhos amendoados e nariz empinado. E a cima de tudo de andar altivo, o que mais atraia Minus. Ela vestia sua roupa de dormir, estava com um pouco de vergonha de Minus vê-la daquela forma, mas queria mostrar-lhe que havia crescido e se tornado uma mulher bonita. Era um vestido de tecido pouco transparente, azul-claro, com rendas bordadas na base e uma verde na cintura que marcava seu busto acentuado no decote.
- Se não veio me buscar o que faz aqui?
- Vim lhe desejar que durma bem.
- Dá-me um beijo de bom sono?
- Sim, claro. Dê-me a testa.
- Não! Quero aqui – e apontou seu pescoço. Minus deu sorriso com o canto da boca, quase imperceptível, mas não para Kalayne. Minus inclinou-se e quando a beijou ela deu um pequeno gemido que saiu pelo nariz e segurou a nuca de Minus. Logo Minus tomou-a pela cintura com as duas mãos e levantou-a suspendendo sua barriga a altura de sua boca e deu-lhe um beijo no umbigo ainda sobre o vestido, desceu-a lentamente sentido seu cheiro. Minus, alto e forte, colocou-a na cama com muita facilidade, ficou sobre ela olhando-a nos olhos, olhou-a até ver que estava vermelha, fingiu tentar beijar sua boca, mas recuou, para surpresa de Kalayne, foi uma segunda vez, chegou bem perto, mas voltou, percebeu a impaciência no rosto dela e finalmente tocou com os lábios o lábio superior e carnoso da jovem. Beijou-a e e desceu seu beijo, beijando seus ombros, braços, pulsos e mãos. Tomou sua cintura com as duas mãos, beijou novamente sua barriga e levemente levantou seu vestido e, como nos sonhos mais doces de Kalayne ele lhe deu um beijo onde sempre sonhou ser beijada por um homem. Tirou seu vestido da forma mais delicada que um homem do tamanho dele poderia fazer e ficou sobre ela e lhe disse:
- Mesmo assim você não vai.
            

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Capítulo 9


- A taberna está cheia...
- Claro Minus, e o mais importante, cheia de opções – Disse Argonis olhando As mulheres que serviam bebidas de todas as cores, e com os mais variados arranjos nos copos.
                Minus foi até o balcão e falou à mulher que servia:
- Kalays.
- Quem é você?
- O Touro. – olhou-o dos pés à cabeça.
-... Entre.
- Háháhá, Me traga seu melhor Vinho e uma garrafa de Varis*, penso eu que estamos comemorando uma batalha ganha! – Berrou Argonis.
- E servidas pelas melhores garçonetes Hehehe! Como essa Ruiva, que fantástica! - Arthur.
Todos pareciam se divertir, menos Neflin que pediu um sumo de pêssego e parecia não ouvir  tudo ao seu redor. 
E lá dentro, longe de qualquer barulho...
- Minus, que bom revê-lo, velho amigo.
- Kalays, continua, mais gordo do que nunca! Logo estará servindo como âncora para uma caravela qualquer.
- De certo afundaria a caravela comigo HAhhaha - E os dois riram juntos.
- Sabe... Preciso de sua ajuda...
- Não me diga que você ainda está com aquela insanidade de querer derrubar o Rei.
- Quero-o morto.
- Por que?
- Por que ele está no meu caminho.
- Você sabe que não vou me expor não é?
- Sim, eu sei, apenas me ajude nos cálculos, você é o melhor que eu conheço nisso.
- Tudo bem... E este seu grupo tão... Exótico. Confia neles?
- Não, nem mesmo em Argonis, tão pouco em você, você sabe disso. Mas todos nós queremos a mesma coisa: a morte de Gordon. Mas também conheço um pouco da natureza humana, com a cabeça de Gordon nas mãos eu sei que não irão se contentar, eles vão me ajudar até derrotar Dominus Rei.
- Você só pode estar enfiando graveto em Sabre*², Nunca conseguirá se quer ver O Rei Ancião. Alguns dizem que ele nunca existiu...
- E outros que ele sempre existiu, eu sei de toda a história, não me venha com sermões.
                Com o néctar nas mãos e a cabeça ainda abaixada Neflin sussurra “Faz bem em não confiar em mim, Menino-Touro”


* Varis: Bebida alcoólica feita e Varissou, um bambu suculento.
*¹ Sumo: Bebida feita da poupa da fruta sem água.
*² Loucura, insanidade. Sabre, é o Tigre-dentes-de-sabre, que existe nesta realidade, mexer com um felino que é quase o dobro de um Leão realmente não é alo muito saudável.
                

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Capítulo 8

O grupo já estava arrumando acampamento quando Neflin vê que o punho esquerdo de Minus está enfaixado, procurou em sua mente e não conseguiu lembrar-se de o ver enfaixando aquela mão por qualquer motivo, então perguntou:
- Machucou-se?
- Como?
- Seu punho – Como num susto, sem que ninguém perceber, Argonis olha surpreso para Minus e Neflin esperando a resposta de Minus, como se fosse intervir caso ele disesse algo que não devesse.
- Ah! Isso?
- Sim.
- É resultado de um treinamet...
- Minus! – Argonis interveio.
- Está tudo bem Argonis, confio nele. Isso é resultado de um treinamento que não deu muito certo. Estava tentando aprender pirocinese e acabei me queimando sério. Argonis não queria que eu dissesse, pois isso poderia servir como um ponto fraco para inimigos, medo de fogo... Não tenho.
- Nem mesmo você sabe até que ponto seus próprios medos podem ser manipulados. - Argonis.
- Não devia dizer isso para todos.
- Não é para todos, é para o Neflin.
            Com as mochilas prontas e o acampamento desfeito eles partem para algum lugar que somente Minus sabe, mas ele se referiu como algum lugar onde poderiam beber então ninguém questionou. Já caminhando iam Minus e Argonis a frente e Neflin, como sempre no final, às vezes abaixava-se para pegar alguma folha ou flor.
- Você fez bem em não dizer a verdade – sussurrou Argonis – Não pode confiar isso a qualquer um, isso é seu trunfo.
- Sabe Argonis... Deveria confiar mais em mim, falei em um treinamento porque sabia que iria interromper se não tivesse interrompido realmente ele iria desconfiar.
            Havia algo que Argonis não sabia sobre os Adoradores da Lua...
- Bom saber que Minus tem um trunfo. - Neflin
            Eles têm uma audição bem apurada.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Capítulo 7


Na Corte do Rei Gordon havia, como na de todos os Reis, um Braço, o homem que lhe era de total confiança e que substituiria o Rei em assuntos importantes caso este não pudesse resolver. E dois Ouvidos, que eram duas pessoas muito sábias que aconselhavam o rei em suas escolhas, uma delas era escolhida pelo próprio Rei o outro pelo Conselho. Mas o Rei Leão estava sem um dos Ouvidos, Wignes, um amigo seu de longa data havia morrido depois de vários ciclos* de trabalho bem prestado ao Rei, e durante um jantar...

- Tragam-me mais faisão, porque hoje este faisão está “a Gosto de Fausto” *¹. E por falar nisso traga-me também este cozinheiro, quero falar com ele.
       Trouxeram-no o cozinheiro.
- Cozinheiro, como se chama?
- Hameshi, Rei Leão.
- É estrangeiro?
- Sim Vossa Força*².
- Este faisão realmente foi preparado com grande habilidade e experiência, Vossa Aptidão*² deve fazê-lo mais vezes.
- Que assim seja.
- E é claro que... – O Leão foi interrompido por um servente que veio lhe trazer uma notícia que foi sussurrada ao Rei, mas a despeito do cuidado do servente o Rei se viu aos berros. – Maldito seja este tal Minus! Que os Deuses da terra deixem cair uma chuva com trovões de desgraças sobre seus ombros! Como ele ousa me desafiar?
- Vossa Coragem, se me permite a palavra. – Pediu o cozinheiro, para o espanto de todos que ali estavam a cear com o Rei, todos ficaram ansiosos por suas palavras, a maioria esperava para ouvir alguma coisa sem sentido, com a gargalhada já armada.
- Diga Cozinheiro.
- Os Ratos da cozinha do Rei crescem mais do que os que se alimentam dos restos de comida do mescado do reino: se você der muito conhecimento para toda a população, um dia ela saberá o que não deve ou simplesmente pensará que sabe mais do que O Rei e assim virá a revolta.
            Alguns ao fundo já prendiam o riso entre os dedos.
- Então cozinheiro, está dizendo que o Rei age errado em dar o conhecimento para o povo, por que com isso eles se rebelarão?
- Sim Vossa Sabedoria. O povo devia saber apenas o necessário para o trabalho, para desempenhar seu papel para o bem do crescimento do reino e em troca o Rei deveria dar-lhes o que precisam para viver em subsistência e os bens mais importantes, dentre estes está a diversão, que iria distrair a todos para que preferissem este bem mais rápido e aparentemente completo ao invés do saber pleno que seria mais duradouro e trabalhoso de se conseguir.
- Ahahahahh! – Com a risada engasgada do Rei todos também riram. – Cozinheiro, almeja o título de Ouvido do Rei?
- Sim Vossa Sabedoria. – O outro ouvido do Rei Sussurrou o mais rápido que pode ao Rei
- Vossa Potência! Não pode... Ele é um estrangeiro e o Senhor sabe... – A mão do rei a frente do rosto dele fê-lo calar-se.
- Cozinheiro, Diante de todos aqui presentes, Eu, Gordon, O Leão, Nomeio-o, Ham, O Ouvido Esquerdo do Rei. - E todos gritaram em celebração.
- Vossa Potência... 
- Ouvido... - Gordon Sussurrou pela primeira vez para o Ouvido -  Faça-o escrever todas as suas idéias no melhor papel e com a melhor tinta, faça escrever tudo e quando ele disser “Acabei” mate-o.
- Sim Vossa Potência. Que assim seja.


Especificações:
Ciclo*: O tempo é contado apenas em Luas, ou Sois (ou seja, Dias), um Ciclo é o equivalente a 350 Sois ou Luas (aproximadamente um ano)
A Gosto de Fausto*¹: Expressão, algo muito bom ou algo que se refere à sabedoria.
Vossa Aptidão*²: É normal as pessoas com alguma habilidade notável serem referidas por uma habilidade, no caso aqui a “Aptidão” ou “Força” depois de “Vossa” funciona como uma forma de tratamento culto.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Capítulo 6


            Na manhã seguinte Todos acordaram cedo, Arthur foi o primeiro, sempre acordava bem disposto a desgosto de Zorf que se mal dizia de dores nas costas, mas ninguém ligou para ele, todos estavam de pé e se arrumando para ir para a cidade seguinte.
- O que é isso? – Perguntou Zorf a Arthur sobre um pedaço de bambu com furos.
- É uma Flauta.
- Nunca havia visto uma de perto.
- Sim, A música é uma arte fantástica, Dominus Rei disse certa vez que em um de seus escritos que “O sábio pleno é aquele que consegue entender a ciência da arte e a arte da ciência ao mesmo tempo”. Minus, tem certeza que quer matar Dominus Rei, penso eu que esteja ciente de quem estamos falando...
- Ele o Rei Ancião, o Representante de Fausto, O Primeiro Grande Mago e essas coisas.
- Dizem que ele é invencível – disse Zorf – e... ih! Esqueci o que mais.
- Dizem que ele fala com o próprio espírito de Fausto na Sala dos Antigos Deuses da Terra, – Continuou Arthur enquanto todos arrumavam suas coisas nas mochilas – dizem que ele pode consultá-lo sempre que quiser. Dizem que ele é tão sábio que prevê todo o futuro, e que ele tem o poder de mudar o passado.
- Os Reis Anciãos não vão para o mesmo lugar que nós, quando morrem se transformam em luz – disse Zorf – era o que dizia minha mama.
- Dizem que Dominus Rei não pode ser visto por qualquer um, porque todos que o vêem se tornam mais sábios apenas por ver sua aura dourada de sabedoria.
- Uau! – Impressionou-se Zorf que nem mais arrumava suas coisas, apenas ouvia Arthur.
- Dizem também que se alguém que não tem sabedoria o bastante chegar a ver Dominus Rei esta pessoa fica louca, porque não consegue entender tanta coisa ao mesmo tempo. E Dizem também que na Sala dos Antigos Deuses da Terra ele pode ver e ouvir o pensamento de cada pessoa dos 5 reinos.
- É isso que dizem? – Finalmente levantou Minus.
- Sim, foi isso que eu ouvi falar.
- Sabe... Uma mentira contada várias vezes pode tornar-se verdade... – disse ele levantando a mochila e começando a caminhar – Mas até que se torne verdade continua sendo uma mentira.