sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Capitulo 5


                Diante da lua as lembranças parecem mais vívidas, como se a lua, Estrela filha, tornasse-se uma confidente tão confiável que acabamos nos perdendo contando-lhe histórias e ouvindo as suas.
            Minus estava de pé, olhando a Lua e as estrelas quando Neflin acordou, viu-o e foi para onde ele estava, no entanto antes de entrar no campo de visão de Minus ele já começava sua narração:
- Quando era ainda garoto minha mãe me comprou um Pássaro-da-grama, creio que já tenha ouvido um. – Minus concordou.
- Mas nunca vi.
- E não haveria de ver. Eles são muito pequenos, devem ter o tamanho de um grão de mostarda, ou menos. Ele é tão pequeno que a porta de sua gaiola não cabia a ponta do meu dedo mindinho, isso em uma gaiola de duas polegadas de altura, mas que eram o bastante para ele se movimentar com liberdade.
            Durante o dia ele não fazia nada, até pensávamos que ele pudesse ter fugido, apenas sabíamos que ele ainda estava lá porque percebíamos alguns traços faltando nos pedaços de berinjela que colocávamos na gaiola.
            Mas ao pôr-do-sol começava... Uma linda melodia, uma canção triste e melancólica, o que me irritava muito. Eu perguntava para a minha Mama “Mama, por que ele toca?” e ela me dizia que era uma canção de amor, dizia que ele estava se declarando para a sua amada em uma serenata, pois esses pequeninos grilos, assim como os humanos, tinham apenas uma mulher durante toda a vida, e sempre, sempre tocavam para a mesma companheira, esse também era o fato de as fêmeas não conseguirem entoar essa melodia, porque era papel do macho conquistar a sua escolhida, e ela cederia a conquista não para a macho que tocasse mais alto, ou mais afinado, ou a canção mais elaborada ou mais bela, mas simplesmente para o macho que tocasse a mesma melodia que havia no coração dela desde que ela nascera. E minha mãe dizia que podemos aprender tanta coisa se apenas parássemos para ouvir as coisas pequenas e ver o que sempre passa por despercebido, que se mudássemos nossas mentes não haveria mais guerra, nem desrespeito a nada na natureza.
            Com o passar do tempo, depois de noites sem dormir bem, comecei a entender o que minha mãe havia me dito e o som, que antes parecia tétrico, passou a ser romântico e belo e quase uma canção de ninar p’ra mim.
            Mas, certa manhã, o sol estava perto de nascer, mama já preparava o café ainda ao som daquela canção, era uma manhã comum, até que homens armadurados entraram a força pela porta, minha mama me jogou na sala pequena onde guardávamos os mantimentos que ficava no subsolo, para não sermos roubados, mas era uma porta um pouco velha e dava para ver tudo lá de baixo. Um deles disse “que som horrível é esse?” e com a tocha que tinha nas mãos ateou foro na gaiolinha. Perguntaram onde estava seu marido, ela disse que morrera e eles disseram “Graças - ele chegou perto dela e disse – você é um demônio, um ser que não devia existir, você é a escória da humanidade e o único erro dos Deuses, todos iguais a você merecem morrer, e não se preocupe, você morrerá rápido, mas seu filho, que sabemos que está aqui, morrerá lentamente, e lentamente” Ela gritou alto, era o que esperavam, enquanto ela se debatia eles contaram-na a garganta e o sangue choveu, e escorreu por todo o meu corpo também. Eles me procuraram por toda a casa, mas sei me esconder bem e não me acharam.
            Não foi mal-do-orvalho, não foram os impostos, foi porque eles não aceitavam que fossemos diferentes.
- Você é diferente?
- Vê meus olhos?
- São amarelos.
- Sim, Sou filho de Cultuadores da Lua, nunca deixarei de ser isso, levaria esse título até o fim da minha vida. Mesmo que eu tenha outros Deuses sempre serei um Cultuador da Lua.
Acredite, eu quero muito matar Rei Gordon, e se realmente você me ajudar nisso eu lhe seguirei e lhe serei fiel até que o ultimo grão de pó seu se desfaça.

1 comentários:

Tarciana Costa disse...

Amei

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